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Subjectivity, Play and Difference: Elements for an approach to seriousness in art

2026

Este artigo aborda o conceito de seriedade nas suas dimensões ética e estética, explorando a dualidade fundamental entre a seriedade e a não-seriedade (ou ludicidade) no âmbito da expressão artística. Analisa-se como os discursos sustentam a sua validade através de vínculos com a realidade, ao mesmo tempo que a arte, enquanto discurso performativo, tende a emancipar-se de realismos ingénuos.
O objetivo central é investigar de que forma a arte navega na antinomia entre seriedade e subjetividade. Procura-se compreender como a experiência estética depende desta relação tensional, distinguindo a seriedade que visa a relevância social (ética) daquela que busca a autenticidade poética (estética).
A investigação fundamenta-se na abordagem pós-metafísica de Michel Foucault sobre o problema da subjetividade. Adicionalmente, adota-se a fenomenologia como principal alternativa metodológica para especificar os mecanismos de subjetivação e a transição da experiência objetiva para a subjetiva através da performatividade.
Os resultados revelam a coexistência de dois regimes distintos de seriedade na arte: a seriedade ética, associada ao compromisso social e ao consenso, e a seriedade estética, que se manifesta na ocultação do artifício para revelar a contingência do real. O artigo apresenta a sensibilidade Camp como um caso de estudo emblemático, demonstrando como esta estética teatraliza a seriedade “fracassada” para afirmar a força política da diferença e do dissenso. Conclui-se que a arte não anula a seriedade, mas sim integra-a num “círculo mágico” onde a performatividade e o compromisso com o real se complementam profundamente. A experiência estética é definida como o percurso que leva o sujeito da responsabilidade ética à plenitude da autenticidade, preservando uma subjetividade que é, simultaneamente, politicamente dissidente e poeticamente desinteressada.