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Introduction to Aesthetic Authenticity in Cinema

2023

Toda a arte busca algum tipo de autenticidade. Podemos reconhecê-la na ficção ou no documentário, na pintura ou na fotografia, na obra abstrata ou figurativa. A autenticidade pode ser acusada no imediatismo da matéria sensível ou na honestidade de uma proposta puramente concetual; pode emanar da aura do objeto singular ou prevalecer no múltiplo e no efémero; ligar-se à exterioridade objetiva ou apelar a uma interioridade fenomenológica (ou até instalar-se no limiar percetivo entre exterior e interior, como no impressionismo); pode ser mimética, resultado de um esforço técnico de minuciosa recriação, ou, pelo contrário, investir no avesso da técnica e da estruturação, enaltecendo o caos, a aleatoriedade ou a passividade do artista, para que este não corrompa a virgindade do real.
A autenticidade aparece implicada na fruição estética de modos diversos, constituindo um dos pilares axiológicos fundamentais do campo artístico. No entanto, o contrato implícito da arte com a autenticidade contrasta radicalmente com a polissemia do último conceito. Como descrever esta autenticidade na sua transversalidade às mais diversas formas de expressão artística? De que modo é que ela opera no processo de validação das diferentes poéticas? Como é que ela se manifesta ao longo de diferentes regimes históricos e o que é que dela resiste às sucessivas revoluções paradigmáticas no mundo da arte? O que é a autenticidade propriamente estética?