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Difference and the Other: Considerations on Ethics and Politics in the Context of the Arts

2024

Este artigo propõe uma interpretação da ética e da política a partir de um cruzamento entre as noções de diferença e alteridade. Assumindo que o sujeito se constitui sempre intersubjetivamente – ou seja, a partir do outro –, autores como Sartre e Levinas estabeleceram uma relação necessária entre subjetividade, responsabilidade e ética. Por outro lado, o sujeito é também, por definição, um agente performativo, um ator, e esta dimensão fenomenológica tende a emancipar o sujeito da seriedade do real ou dos contratos (éticos) da realidade social. Isto conduz a uma tensão entre duas abordagens distintas de articulação entre a subjetividade e a ética: de um lado a perspetiva de que a ética nasce a par com a subjetividade, do outro a perspetiva de que o sujeito pode emancipar-se da ética (ou até precedê-la), mesmo que dependa ainda, para a sua própria constituição, de uma alteridade subjetiva, de uma intersubjetividade.
Não quer dizer que não possa haver realismo no âmbito de uma subjetividade que escapou à ética. No contexto das artes, as dimensões ética e estética, embora essencialmente distintas, alimentam-se ambas do mesmo jogo entre subjetividade e realismo, ainda que o caráter realista da autenticidade estética (que vive da singularidade) seja muito diferente do caráter realista da ética (a qual caminha para o consenso e a universalidade).
A experiência estética que se expressa na arte serve-se da diferença e do dissenso (entendido aqui no sentido proposto por Jacques Rancière), mas essa dimensão política não deve ser confundida com a dimensão ética que governa os lobbies da arte.